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Preparando a Interatividade
Onde Está
"E assim caminha a interatividade"
O Carrossel de Dados
Internet

A interatividade parece estar ainda um pouco distante do público, mas é um dos temas mais presentes na agenda dos profissionais de áreas técnicas de TV.

O assunto ainda é novo no mundo. O sistema americano, mal admite essas ferramentas. O europeu, ainda não registra grande interesse por parte da população. É mais ou menos o que está acontecendo também no Japão. Essa “coisa” nova (TVD) que está nascendo dentro dos aparelhos de TV, ainda não firmou hábitos. Isso vai depender da criatividade dos técnicos em gerar novas funcionalidades na TVD (através da interatividade) e dos profissionais de redações e agências, na formatação de novos serviços para o público.

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Onde Está

O Ginga, o middlleware do sistema nipo-brasileiro, é o principal componente 100% brasileiro no SBTVD. E é o centro das atenções para o mercado. O software acolhe além da linguagem de programação NCL, desenvolvida pela PUC-Rio, o suporte a máquina virtual Java, compatível com o novo padrão JavaDTV, que surgiu de uma longa negociação entre a Sun Microsystems e o Fórum SBTVD, para minimizar pagamentos de royalties. A plataforma NCL é anunciada como sendo muito eficiente. Até agora ninguém contesta. Mas o JavaDTV deve garantir a criação de APIs mais seguras para alguns tipos de aplicação.

Na arquitetura do Ginga, o sistema operacional é o Linux. O middlleware utiliza também a linguagem LUA para script (outra “prata da casa”, by PUC-Rio). O sistema dispõe uma de máquina virtual NCL-Lua e outra JavaDTV. Quem entende de NCL-Lua pode desenvolver aplicativos nestas linguagens. Quem está mais familiarizado com o Java, faz os aplicativos utilizando as APIs do JavaDTV.

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“E assim caminha a interatividade”

Os atrasos nas definições e investimentos ficam por conta da demora na publicação das normas ABNT-NBR para o Ginga. Questões políticas, mais uma vez. Só que em nível empresarial/acadêmico e não governamental.

Depois do JavaDTV – que substituiu o GEM europeu, na versão inicial do Ginga – a questão passou para o potencial de funcionalidades no padrão Java. A norma proposta pela ABNT autorizava a inclusão da versão JMF 2.1 (Java Media Framework) entre as APIs disponíveis no Ginga. As fabricantes de aparelhos de TV pediam que este opcional não fosse incluído, ficando apenas o JMF 1.0. As universidades que participam do Fórum SBTVD queriam o 2.1 como funcionalidade obrigatória.

O JMF 2.1 permite captura de vídeo e áudio e streaming da TV para o celular, dentre outros recursos. Mas poderia exigir custos adicionais na plataforma de hardware do set-top box (que passa a ser obrigatório nas TVs acima de determinado tamanho a partir de 2010).

A norma ABNT para o Ginga teria o importante papel de uniformizar a “plataforma de receptores” para a televisão brasileira. Assim, quando uma emissora decidir lançar um aplicativo no ar, ela já sabe o que é viável ou não para os receptores domiciliares.

O Conselho Deliberativo do Fórum do Sistema de TV Digital Terrestre (Fórum SBTVD) deliberou recentemente o envio das Normas Técnicas de dois perfis para a interatividade do padrão nipo-brasileiro (ISDBT), para consulta pública na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Conforme definido em dezembro de 2009, ambos os perfis preservam a identidade e a arquitetura baseada em NCL e JavaDTV; e o canal de interatividade poderá ser acrescido como uma funcionalidade independente.

O primeiro perfil tem recursos de monomídias como texto, fotos e imagens animadas. E ao segundo foram acrescentadas tecnologias de transmissão de aplicações de clipes de áudio e vídeo (JMF 2.1), permitindo, por exemplo, o “tira-teima” de jogos de futebol em mini-telas ao lado da imagem principal, entre várias outras possibilidades comerciais e lúdicas que poderão ser desenvolvidas e implementadas pela indústria.

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O Carrossel de Dados

A preparação das emissoras caminha independente desta polêmica. O importante é estar em condições de atender o mercado tão logo esta questão se defina.

A interatividade pode acontecer em níveis diferentes. No que diz respeito à transmissão, ela acontece por meio de um fluxo elementar independente que é inserido no BTS, o carrossel de dados.

Voltando ao exemplo clássico, do jogo de futebol. Seu time marcou um gol e você comemorou muito. Meia hora depois, chega seu amigo e você quer mostrar pra ele o gol. Dedo no controle remoto e o gol entra no ar.

Isso vai acontecer porque a emissora vai separar o gol, junto com uma API – um aplicativo, um programa específico – e vai deixar este sinal no ar. Por isso o nome “carrossel”. Este complemento de programação vai se repetir naquele fluxo elementar do BTS durante todo o tempo em que o jogo estiver no ar. Quando o seu amigo chegar na sua casa e você apertar o botão do controle remoto, uma das máquinas virtuais do seu Ginga (ou Java ou NCL, dependendo da emissora), vai executar a primeira API daquele aplicativo que chegar. E vai exibir a reprise do gol. Cada vez que uma pessoa, entre os milhões de espectadores, apertar o tal botão do controle remoto, o aparelho vai pegar a “volta do carrossel” lançada no ar naquele momento e vai exibir. Essa “volta” vai continuar repetindo de tempo em tempo (segundos, no caso).

A emissora vai precisar então, além do multiplexador completo, um equipamento gerador de carrossel, que encapsula os arquivos das aplicações que a emissora disponibiliza no formato especicado no carrossel de dados. O aplicativo, portanto, não precisa estar no receptor. O que fica lá são as máquinas virtuais com as funcionalidades disponíveis. As aplicações podem ser desenvolvidas dentro da emissora, na agência de publicidade, desde que esteja em condições de ser executada nas máquinas virtuais do Ginga.

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Internet

Vai ser importante em dois níveis.

O jogo é do Campeonato Brasileiro e está acontecendo no Maracanã. Vai para todo o Brasil.

Lá do Rio de Janeiro a emissora está disponibilizando os gols marcados. Mas em Salvador, por exemplo, a RTV (retransmissora local), quer disponibilizar também um quadro com os outros resultados, que interferem diretamente nas chances do time local ser campeão. Inclui também o percentual de título para o time de acordo com combinações diferentes de cada resultado.

Este quadro da RTV de Salvador não interessa para os telespectadores de Campo Grande-MS, por exemplo.

A geração da rede, no Rio de Janeiro, vai então distribuir em TS a programação para as RTVs afiliadas. Os gols e outros complementos de programação para interatividade nacional são passados para todas as afiliadas via Internet. Cada afiliada ajusta este conteúdo com os complementos de programação local, respectivas APIs e manda tudo para o gerador de carrossel. Este equipamento é ligado ao multiplexador que prepara então um BTS local e manda ao ar.

O outro uso da conexão com a Internet vai ser a partir dos set-top boxes domiciliares. Durante o jogo, a emissora pergunta quem é o melhor jogador em campo, e disponibiliza nomes e números para quem quiser votar. Agora é a emissora que tem que receber dados da audiência. Esta via de retorno é feita pela Internet. O set-top box precisa de uma conexão, discada ou banda larga.

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